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Necessidades

As necessidades de inovação

O mapeamento dos levantamentos realizados, entrevistas e dos questionários respondidos pelas empresas construtoras possibilita identificar as linhas gerais de tendências de desenvolvimento em que o setor da construção civil no Brasil precisará investir.

É preciso lembrar que existem diferenças significativas nos diferentes segmentos que compõem a construção de edificações.

Inovações de sistemas construtivos necessárias, por exemplo, para melhorias de desempenho e/ou produtividade na execução de pisos para edifícios com elevado tráfego de pessoas será diferente do que ocorre com as necessidades de inovação em pisos de edifícios residenciais.

As linhas gerais apresentadas a seguir precisarão ser desdobradas em projeto específico de detalhamento que deverá ser feito com representantes de empresas construtoras, de projeto, universidades e institutos de pesquisa e representantes da indústria.

Linhas gerais de necessidades de inovação – materiais, componentes e sistemas construtivos

  1. Materiais e sistemas que contribuam para a elevação da produtividade e para a execução em prazos mais curtos– como reduzir as relações de interdependência na obra decorrentes das  necessidades de cada sistema para atingir o desempenho adequado.
  2. Materiais e sistemas com custos adequados para os diferentes segmentos– exemplo: os acabamentos de alto desempenho são também acabamentos de elevado custo que não cabem na produção dos chamados segmentos econômicos. No entanto, são insuficientes os produtos de custo mais acessível disponíveis principalmente por que muitas vezes o custo mais baixo é obtido com mais baixo desempenho e até mesmo não conformidade as normas técnicas. Materiais de desempenho adequado e custos adequados a cada segmento são ainda necessários.
  3. Produtos que eliminem ou facilitem o transporte, facilitem a montagem em canteiro.
  4. Incorporação de sistemas que permitam a redução dos controles e inspeções – ex. sistema de conferência de aço, de identificação de tubulações, etc; automação do recebimento de materiais, do controle da mão de obra no canteiro (etiquetas RFID,  por exemplo).
  5. Produtos que reduzam impactos sobre o trabalhador como toxicidade, esforço físico.
  6. Produtos que solucionem problemas reais existentes no projeto de edifícios quanto à produção (obra) ou uso, operação e manutenção: produtos que facilitem a manutenção e limpeza, adequação e segurança no uso; acessibilidade, etc.
  7. Comportamento/ desempenho de sistemas– produtos que contribuam para o desempenho acústico, térmico, etc. Ex. Desempenho acústico ainda tem soluções consideradas “caras”  e viáveis apenas em edifícios de mais alto padrão. Só se resolve problemas desta natureza com inovação.
  8. Produtos e sistemas para a sustentabilidade: ainda não se tem um inventário do quanto os produtos disponíveis no mercado brasileiro atendem aos requisitos de sustentabilidade que são exigidos por normas, sistemas de certificação e necessidades dos usuários (ex. ainda não incorporamos o “concreto permeável” em estacionamentos como é hoje disponível nos EUA). Este inventário uma vez realizado permitirá a perfeita identificação das lacunas de produtos existentes.
  9. Soluções de interface– o detalhamento de projetos muitas vezes se depara com a necessidade de improvisar soluções para interfaces entre os subsistemas estruturas x alvenaria x revestimentos. É preciso caracterizar melhor as diferentes soluções requeridas.

Linhas gerais de necessidades de inovação – gestão.

 

  1. Novos modelos de negóciosembasados em inovações de estratégia de produto no mercado, segmentação do público-alvo, tipos de produtos, etc;
  2. Novas formas de comunicação com o mercadopara o lançamento de produtos, novas formas de relacionamento com os clientes e comercialização – intensificação da mídia eletrônica, redução do uso de publicidade de massa para uma publicidade mais segmentada e dirigida ao público alvo, redução dos gastos em material impresso, transparência ao cliente, educação do cliente para identificar desempenho do produto, orientações adequadas sobre inovações incorporadas, quebra de resistências e círculo vicioso da não valorização da inovação ao cliente final por parte dos profissionais de vendas;
  3. Automação dos processos de vendas, contratos e comunicação com o cliente após a venda;
  4. Modelos de planejamento, orçamento e avaliação de riscoscom o uso de sistemas inovadores: comparações baseadas no verdadeiro impacto das inovações sobre o custo sistêmico e global, ao longo da vida útil.
  5. Métodos de projeto: adequados ao conceito de desempenho – o uso de simulações na prática projetual; adequados à análise do impacto do empreendimento para o entorno; flexibilização às alterações do usuário ao longo da vida útil.
  6. Tecnologia da informação– no projeto, no planejamento, no controle em obras, nos métodos de diagnóstico, na robotização de atividades que o homem não precisa fazer e que podem ter mais precisão; automação de componentes e sistemas nos edifícios – é preciso fazer um esforço de capacitação de profissionais nesta área para atuar nas empresas e como consultores.
  • BIM – Building Information Modeling– Embora venha sendo divulgada a implantação no Brasil de metodologias desta natureza existem sérios equívocos de interpretação do que é necessário para efetivamente implantar esta abordagem a partir do que o estudo pôde constatar comparando como isto vem sendo apresentado no Brasil e como está sendo efetivamente desenvolvido nos EUA, Europa e Ásia. O conceito verdadeiro de BIM não se resume ao projeto em três dimensões como vem sendo apresentado, mas num processo de integração de dados e informações sobre todo o ciclo de produção, uso e operação do edifício de modo a criar num único modelo a simulação completa de projeto, planejamento, orçamento, construção, operação, manutenção e custos globais do edifício. Para essa aplicação, antes de qualquer software, é necessária uma modelagem de informações de especificações, de custos, de gestão da qualidade, de prazos e durações de atividades, de diretrizes de uso e operação que possam ser associadas a cada elemento construtivo projetado. Esta modelagem está longe ainda das práticas da maior parte das empresas brasileiras, que ainda tem grande dificuldade de integração de informações e dados dos diferentes processos, em especial, também quanto à padronização de terminologia. Nesta abordagem o mesmo nome que o projetista atribui aos componentes precisa percorrer todas as demais fases, assim o que foi chamado de bloco cerâmico no projeto não pode ser chamado de tijolo cerâmico no orçamento, no planejamento, na contratação e compra, etc.

Outro grande desafio na implantação do BIM é que o Brasil ficou à margem do desenvolvimento dos padrões que asseguram a “interoperabilidade” entre sistemas compostos por padrões de classes de produtos, terminologia e linguagem de interoperabilidade entre sistemas de diferentes desenvolvedores e para implantar as empresas que iniciaram este trabalho, ao contrário do modo que se consolida no mundo todo, precisam comprar todos os sistemas (projeto, planejamento, suprimentos, etc) de um mesmo fornecedor.  Este é um dos principais entraves a que o Brasil possa absorver bem os melhores sistemas disponíveis no mundo em cada parte do processo produtivo, integrando-os numa modelagem BIM.

O nível de conhecimento dos profissionais das empresas incorporadoras e construtoras para a implantação de sistemas de informação e, particularmente, do BIM é totalmente insuficiente e não temos no Brasil a disponibilidade de consultores especializados não comprometidos com sistemas específicos.

O investimento necessário a esta implantação não é baixo, pois envolve a compra de softwares e a capacitação das equipes, o desenvolvimento interno às empresas dos modelos de sistemas de informação apropriados aos seus processos. Por enquanto este investimento está fora do alcance da maioria das empresas incorporadoras e construtoras e das empresas de projeto.

Assim será necessário desenvolver uma série de passos para que o Brasil possa se equiparar ao panorama internacional na questão da implantação de sistemas BIM:

  1. desenvolvimento de condições de interoperabilidade no Brasil adaptando-se e absorvendo padrões internacionais já em atividade;
  2. padronização de terminologia, bibliotecas de materiais, componentes e sistemas construtivos;
  3. capacitação e treinamento de profissionais das áreas envolvidas nas empresas construtoras e nas empresas de projeto;
  4. financiamento à implantação;
  5. ensino de graduação precisa absorver esta nova metodologia para que a nova geração de engenheiros e arquitetos não precise ser capacitada pelas empresas.
  • Automação dos controles em obras(RFID, laser scanners, palmtops etc) – a análise do estágio de utilização de ferramentas de tecnologia da informação nos canteiros de obras mostra um vasto campo de possibilidades de racionalização e melhoria de produtividade e precisão/ gestão da qualidade para as quais falta ainda condições de desenvolvimento efetivo e implantação nos canteiros brasileiros, mas que precisa de investimento para viabilizar a curto e médio prazo.
  • Novas formas de diagnóstico e atendimento de ocorrências pós-entrega das obras com automação, rastreabilidade das ocorrências nos processos.