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Inovação no Brasil

Panorama no Brasil

O histórico de introdução de inovações no mercado da construção civil brasileira teve uma lógica relacionada inicialmente à produção habitacional nos anos 70 e início dos anos 80, a partir da larga escala proporcionada pelos financiamentos concedidos pelo Banco Nacional de Habitação (BNH).

No entanto, a falta de preparo das empresas para o desenvolvimento, avaliação de desempenho previamente à utilização e implantação levou a sérias conseqüências de qualidade do que foi produzido naquele período (ver detalhamento no Anexo).

Os anos 90 foram marcados pelo fechamento às inovações, especialmente pela Caixa Econômica Federal na concessão de financiamentos, até a abertura econômica e estabilização da economia se tornarem efetivas para fabricantes de outros países e empresas construtoras que passaram então a introduzir novas tecnologias.

A partir daí, ainda sem um sistema de avaliação das inovações, o mercado introduziu com dificuldades algumas das principais mudanças que dependeram em alguns casos de investimento completo de desenvolvimento e aplicação pelas construtoras para constatação da viabilidade técnica e econômica.

A indústria de materiais e sistemas liderou a introdução de inovações a partir da segunda metade dos anos 90, em alguns casos demandada pelas empresas construtoras e em outros trazendo tecnologias já existentes em outros países.

Algumas destas iniciativas tiveram um longo ciclo de maturação, pois rompiam com práticas muito tradicionais e não tinham o arcabouço existente em outros países com normas e conhecimento de projeto, especificação e construção focado em desempenho. A falta desta abordagem dificulta em muito o entendimento das empresas sobre as características de ganhos destes sistemas.

Tecnologias como o sistema de vedação drywall ou o sistema construtivo “steel framing” ainda não têm a escala desejável para sistemas com este grau de industrialização e outros como o sistema de fachadas pré-fabricadas para edifícios residenciais ou os banheiros prontos praticamente inviabilizaram-se no mercado. Os fatores que levam a estas situações estão ligados a vários aspectos sistêmicos e setoriais como a informalidade que gera uma competição desigual entre sistemas industrializados e tradicionais, a tributação sobre sistemas industrializados, a falta de conhecimento de projeto e construção e outros detalhados nos itens seguintes deste relatório.

O panorama atual das inovações no Brasil mostrou, por meio dos levantamentos realizados com as empresas construtoras de cinco estados e quatro diferentes regiões, as seguintes constatações, que foram confirmadas pelos levantamentos em outras fontes:

 

  • A predominância das inovações absorvidas pelas empresas é de inovações em materiais e sistemas construtivos seguida por inovações em projeto e em terceiro lugar inovações de gestão;
  • O levantamento identificou uma série de iniciativas de empresas líderes que não são disseminadas entre a maior parte das empresas que responderam a pesquisa como:
  • Produtos imobiliários com concepção inovadora – flexibilização total de personalização, produtos para idosos, produtos de uso misto; introdução de tecnologia e características de projeto visando a sustentabilidade e até mesmo em edifícios comerciais de escritórios a certificação de sistemas de sustentabilidade;
  • Inovações no marketing e relacionamento com os clientes;
  • Inovações de tecnologia da informação com o uso de sistemas de acesso do cliente a pagamentos, personalização, etc por web; uso de geoprocessamento, uso do Google Earth para o cliente visualizar a localização de seus empreendimentos;
  • Inovações de gestão do desenvolvimento de empreendimentos com detalhamento do público alvo, pesquisas específicas sobre este público alvo;
  • Inovações de sistemas de planejamento e controle de obras com uso avançado de tecnologia da informação, automação dos sistemas de gestão da qualidade, melhoria dos canteiros de obras;
  • Iniciativas individuais de empresas na modelagem de informações para implantação de BIM – Building Information Modeling;
  • Novas formas de atendimento pós-entrega.

 

O levantamento entre as 52 empresas que responderam os questionários do projeto apontaram características específicas de inovações.

O perfil das empresas em sua maioria empresas de pequeno a médio porte pode apontar uma tendência representativa da média das empresas brasileiras.


A planilha completa com as respostas das empresas faz parte do Anexo.

 

 

As inovações introduzidas nos últimos cinco anos apontadas pelas empresas da amostra são:

 

Inovações no subsistema Fundações e Estruturas:

  • Aço cortado e dobrado.
  • Alvenaria estrutural com laje pré fabricada.
  • Concreto auto adensável.
  • Concreto de alto desempenho em estruturas.
  • Concreto usinado.
  • Cortinas de contenção pré-moldadas.
  • Fôrmas metálicas.
  • Fundação em estaca.
  • Sistema cortina em canaletas.
  • Laje nível zero.
  • Lajes nervuradas com protensão.
  • Lajes planas protendidas.
  • Projeto  de fôrmas na produção de estruturas.
  • Cimbramento.
  • Desenvolvimento e adoção de vários tipos de peças pré moldadas em concreto convencional e vermiculita.
  • Desmoldante aplicado com máquina.
  • Projeto de forma de madeira.
  • Escoramento metálico.
  • “Montamos uma fábrica de construir no processo alvenaria estrutural, envolvendo toda a cadeia produtiva, inclusive com escola para mão de obra e oficina de protótipos”.

 

Inovações no subsistema vedações verticais e horizontais:

  • Tratamento acústico.
  • Aditivos nas massas de revestimento interno.
  • Alvenaria racionalizada.
  • Argamassa Industrializada (Argamassa projetada; Argamassas em silos; Automação predial).
  • Contrapiso acústico
  • Drywall.
  • Execução de contrapiso em todo o pavimento antes da alvenaria.
  • Fachada em sistema unitized.
  • Fachada pele de vidro.
  • Fachadas aeradas com granito e porcelanato.
  • Fibra de poliéster na massa de revestimento da fachada.
  • Gesso corrido bombeado (área interna).
  • Projeção de argamassas mecanicamente.
  • Projeto de alvenaria.
  • Projeto de fachadas.
  • Projetos de esquadrias de alumínio.
  • Racionalização das alvenarias através de modulações dos blocos, e tratamento. como sistema de alvenaria, integrada com todos os componentes.
  • Revestimento de fachadas em sistema inovador.
  • Revestimento externo  tipo monocamada.
  • Portas prontas.
  • Padronização de forro.
  • Janelas prontas.
  • Tela em pilares para amarração.
  • Projeto  de revestimento Interno e externo.
  • Tinta interna PVA com bomba.
  • Vidros laminados.
  • Projeto de impermeabilização e de fôrmas.

Sistemas prediais hidráulicos e elétricos:

  • Adoção de “shaft” vertical e horizontal no interior da unidade, e de “shaft” no hall da área comum.
  • Aquecimento solar.
  • Interligação de sistemas (voz /dados /imagem).
  • Sistema de ar-condicionado SPLIT.
  • Utilização de kits hidráulicos.
  • Sistema de instalações em PEX (sistema flexível)
  • Sistema de instalações de água quente e água fria em PPR.

 

Gestão:

  • Coleta seletiva de entulho.
  • Compatibilidade/ coordenação de projetos.
  • Compatibilização de projetos com elaboração de projetos para produção, envolvendo marcações nas estruturas e alvenarias.
  • Implantação de controladoria interna.
  • Controle da Qualidade.
  • Elevador do tipo cremalheira na execução da obra.
  • Implantação de KAN BAN nas obras.
  • Certificação LEED de sustentabilidade.
  • Implantação de sistema da qualidade e certificação segundo o PBQP-H – Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade.
  • Planejamento e controle de obras.
  • Implantação de sistema informatizado integrado - Sistema Mega (ERP).

 

Estas inovações podem ser resumidas pela sua natureza e incidência em 5 (cinco) tipos:

  • Materiais e componentes,subsistemas (alta incidência)
  • Projeto (média incidência)
  • Mecanização de atividades (média incidência)
  • Planejamento e gestão (baixa incidência)
  • Tecnologia da informação (baixa incidência)

 

Não apareceram citadas entre as empresas que responderam ao questionário inovações em produtos imobiliários, marketing e relacionamento com o cliente.

As inovações identificadas podem ser analisadas pela descrição no anexo deste relatório para cada subsistema construtivo e os exemplos destas inovações ligadas ao produto, sistema de contratos, relacionamento com clientes, uso de TI.

Podemos então ainda adicionar a estes itens identificados pelas 52 (cinqüenta e duas) empresas da amostra um grande conjunto de inovações implementadas por empresas com outro perfil de atuação.

As inovações identificadas nesta amostra são em sua maioria inovações incrementais, isto é, que introduzem mudanças incrementais nos produtos e/ou nos processos.

O Anexo 3 deste relatório apresenta num arquivo ilustrado as inovações identificadas em empresas líderes em suas regiões ou segmentos de mercado, as quais, apresentam alguns outros tipos de inovações não apresentadas entre as 52 empresas da amostra seja em função da tipologia de produtos que fazem seja em função de seu acesso a tecnologias inovadoras específicas.

Destacam-se entre as inovações apresentadas neste anexo várias inovações que são efetivamente mais disruptivas dos que as inovações incrementais em sua maioria identificadas nas 52 empresas. A inovação é chamada disruptiva quando rompe com uma forma anterior de produto ou processo.

Destacam-se as inovações de produtos imobiliários, de sistemas integrados de informação e a nova plataforma de trabalho conhecida mundialmente como BIM – Building Information Modeling que é ainda incipiente no Brasil, de relacionamento com o cliente além das inovações como o elevador sem casa de máquina e elevadores com capacidade de utilizar a energia decorrente de seu próprio processo de funcionamento (os chamados drives regenerativos), os sistemas de PVC para instalações de combate à incêndio que rompem um grande paradigma de uso de materiais poliméricos neste tipo de sistema.

Percebe-se que muitas inovações não citadas pelas empresas da amostra estão ainda num estágio de introdução restrito a certas tipologias de obras e empresas líderes e levarão algum tempo ainda para migrar para as demais empresas.

Entre as inovações identificadas existem ainda poucos dados que permitam caracterizar o grau de absorção na totalidade das empresas atuantes nas várias regiões, dado o grande número de empresas presentes no mercado de construção.

No entanto, os dados de vendas de produtos e sistemas permitem identificar que existem produtos inovadores que ainda são empregados por uma parcela muito menor do que o potencial de mercado se houvessem condições de conhecimento, tributação, capacitação da mão de obra e outros fatores facilitadores e indutores.

O modo de difusão das inovações provém principalmente da difusão por meio da indústria de materiais e por meio dos projetistas e consultores especializados, além de profissionais de gerência e diretoria de construtoras que migram entre empresas espalhando seu conhecimento.

O efeito da utilização por empresas líderes de mercado não é mensurável, mas detecta-se ser este um fator importante, pois as empresas menores sem muitos recursos para investir no desenvolvimento e aprendizado de utilização esperam que as maiores empresas criem este conhecimento e avaliem todos os riscos para então poderem utilizar.

Não à toa muitas inovações identificadas tiveram origem em parcerias entre a indústria e empresas que foram ou são líderes de mercado em sua área de atuação e se propagaram pelo mercado por várias regiões.