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P&D na Construção

Pesquisa e desenvolvimento tecnológico na área de construção x inovação

A pesquisa e desenvolvimento tecnológico na construção civil vem ocorrendo basicamente em três agentes como líderes do processo de desenvolvimento e inovação:

  • Fabricantes de materiais e sistemas construtivos;
  • Empresas incorporadoras e construtoras;
  • Universidades e institutos de pesquisas atuantes na área de construção ou em áreas de interface.

O levantamento que foi realizado detectando-se as inovações introduzidas no mercado segunda as categorias de inovações de produtos, processos, organizacionais e de marketing mostraram que há pouca intervenção das instituições de pesquisa na dinâmica de geração e absorção de inovações nos empreendimentos desenvolvidos nos vários segmentos.

Em sua grande maioria as inovações tecnológicas nasceram no desenvolvimento da indústria, registrando-se casos em que o desenvolvimento e aperfeiçoamento da tecnologia contou com a participação de pesquisadores de universidades e/ou institutos de pesquisa.

No caso das empresas incorporadoras e construtoras, as inovações de produtos imobiliários são predominantemente desenvolvidas pelas empresas com seus projetistas, assim como de novos sistemas desenvolvidos em projeto.

Não se identifica nas pesquisas de universidades o desenvolvimento de novos conceitos de produtos que tenham interação com a produção de mercado. Iniciativas como a análise dos modos de vida nas grandes cidades e com isso dos produtos requeridos por segmentos de clientes tem ficado restritas aos trabalhos acadêmicos.

As inovações organizacionais, ainda em baixa escala de implantação, contam com a participação de algumas instituições de pesquisa como é o caso de planejamento de obras, sistemas de gestão ambiental.

No entanto, o levantamento das pesquisas em desenvolvimento por meio das linhas de pesquisas, dissertações de mestrado, teses de doutorado e trabalhos publicados tem uma baixa incidência de temas relacionados à inovação ou a transformação destes projetos de pesquisa em produtos e processos inovadores.

Um levantamento dos cursos de graduação, pós-graduação e dos institutos de pesquisas atuantes na construção civil identificou um quadro de:

  • 208 cursos de graduação em Engenharia Civil,
  • 41 cursos de pós-graduação em Engenharia Civil (23 de mestrado, 15 de mestrado e doutorado, 3 de caráter profissionalizante),
  • 215 cursos de graduação em Arquitetura e Urbanismo
  • 16 cursos de pós-graduação em Arquitetura sendo 8 de mestrado e 8 de mestrado e doutorado (não existem cursos oficialmente reconhecidos de mestrado profissionalizante na área de arquitetura).

Institutos de pesquisas que atuam especificamente na construção civil se encontram no Rio Grande do Sul (CIENTEC), no Paraná (TECPAR), em São Paulo (IPT), na Bahia (CEPED), em Pernambuco (ITEP), no Ceará (NUTEC).

Os cursos analisados para a pós-graduação e suas linhas de pesquisa,  envolvem as seguintes áreas:

  1. Solos e geotecnia;
  2. Estruturas (incluindo análise dinâmica, pré-fabricados, estruturas metálicas, comportamento das estruturas em situação de incêndio);
  3. Materiais de construção (foco em concreto e argamassas);
  4. Desempenho térmico, acústico, lumínico;
  5. Sistemas prediais;
  6. Gerenciamento da construção (com diferentes abordagens envolvendo planejamento de empreendimentos, planejamento da produção, tecnologia da informação, gestão da cadeia de suprimentos, gestão da qualidade, etc);
  7. Gestão de “facilities”.

O Programa Habitare da FINEP foi analisado com a identificação de projetos financiados que tenham relação com a geração de inovação (ver relação dos projetos no anexo).

Observou-se que a maioria dos projetos não tem relação direta com inovação e que aqueles que tem, especialmente os projetos de desenvolvimento de sistemas construtivos não se colocam como alternativas de fato para o mercado de construção formal.

Focados na habitação de interesse social, tais projetos parecem atingir apenas os segmentos de produção com promoção de desenvolvimento do Estado como programas para cooperativas habitacionais e companhias de habitação.

Enquanto os sistemas construtivos em desenvolvimento no âmbito do Programa Habitare foram desenvolvidos, as empresas construtoras que buscaram alternativas de sistemas para a média baixa e baixa renda não tiveram acesso e conhecimento para ver nestes sistemas uma possibilidade, pois as soluções inovadoras adotadas em larga escala pelas empresas foram de sistemas desenvolvidos pela indústria, projetistas e por elas próprias (pré-fabricados, paredes de concreto moldadas “in loco”, alvenaria estrutural).

Embora no âmbito do Programa Habitare existam projetos que foram desenvolvidos com parcerias com indústrias de materiais e componentes não existe qualquer aproveitamento destes sistemas pelas empresas que estão atualmente produzindo em larga escala para estes segmentos.

Uma iniciativa de maior alcance no âmbito do Programa Habitare consiste numa experiência que poderá ser ampliada: o Consitra – Consórcio Setorial para Inovação em Tecnologia de Revestimentos de Argamassas.

Detectando muitos problemas no desempenho de revestimentos com argamassas as empresas integrantes do Comitê de Tecnologia e Qualidade do SindusCon-SP mobilizaram os representantes da indústria de argamassas, consultores especialistas e a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo – EPUSP para buscar soluções para este desempenho inadequado. O Consórcio formado pelo SindusCon-SP, ABAI – Associação Brasileira de Argamassas Industrializadas e equipe da EPUSP deverá atingir o ponto de gerar produtos e sistemas inovadores.

No entanto, em geral, não existem mecanismos de difusão sobre o quê as instituições desenvolvem para que as empresas tomem conhecimento e interajam com este desenvolvimento e também são poucos os mecanismos de contato das instituições com o que acontece no mundo das empresas.

A pequena participação de pesquisadores em eventos técnicos promovidos pelas empresas do setor e, vice-versa, a baixa participação em eventos chamados acadêmicos, denota claramente este afastamento.

Não existe na carreira acadêmica mecanismos que permitam que estes eventos, possam ser freqüentados pelos pesquisadores, pois não existem verbas destinadas a isso, uma vez que não são eventos considerados científicos.

Também a participação em atividades como a elaboração de normas técnicas não é prevista entre as atividades da carreira acadêmica.

Assim, ao contrário do que foi possível identificar em países desenvolvidos, das inovações introduzidas no mercado nos anos 90 e 2000 detecta-se muito baixa incidência de participação de pesquisas desenvolvidas no meio acadêmico naquilo que se transforma em inovações de produtos e de processos.

O rompimento das barreiras de entendimento dos agentes de produção com o meio de pesquisa e desenvolvimento tecnológico é fundamental para que o investimento seja otimizado, mas sobretudo para que aquilo que efetivamente faz falta para a evolução do setor de construção quanto à inovação entre na pauta do desenvolvimento tecnológico no âmbito das universidades e institutos.

O primeiro passo é o efetivo conhecimento mútuo e a quebra de preconceitos existentes, pois em ambos os lados existe conhecimento gerado, com características próprias de cada um é verdade, pois o conhecimento gerado pela experimentação prática é diferente do conhecimento científico gerado nos laboratórios e projetos de pesquisa, mas ambos tem valor para a evolução da construção civil.